Prisma STI

Quando transparência vira estratégia organizacional

Problema real

Para as áreas de negócio, a Superintendência de TI da CNI era uma caixa-preta. Gestores não entendiam por que projetos demoravam, que dados existiam ou como acionar tecnologia. O resultado era desconfiança, subutilização de recursos e decisões desalinhadas entre TI e negócio.

Decisão-chave

Trabalhar dentro das limitações do SharePoint (sem recursos de desenvolvimento) e compensar restrições técnicas com tradução visual radical: transformar documentação técnica em infográficos, cartilhas e processos humanizados com personagens, priorizando clareza de compreensão sobre sofisticação de interface.

Resultado

145 visualizações na primeira semana (18% de adoção espontânea). O projeto reduziu tráfego de documentos desatualizados, estabeleceu novo padrão de comunicação entre STI e negócio, e inspirou outras superintendências a replicarem o modelo.

Meu papel

Product Designer responsável por: pesquisa, arquitetura de informação, estratégia de conteúdo visual, criação da identidade visual, tradução de processosem diagramas humanizados, design de infográficos e cartilhas. Defendi decisões de experiência e criei soluções de design que compensassem limitações técnicas da plataforma.

Período

2023

Contexto

Projeto institucional de transparência e governança de TI.

Equipe

Alessandra Duarte, Cecília Macedo, Fernanda Klein, Gustavo Brito, Leonardo Mafra, Vitor Carulla + fornecedor externo

O conflito real

O brief era claro:

"Criar um canal de comunicação para centralizar conteúdos técnicos da STI."

A pesquisa "Portas Abertas" (2022), realizada com gestores das áreas de negócio, já havia identificado o problema: falta de transparência sobre processos de TI, dificuldade em entender como trabalhar com a STI, e subutilização de ferramentas disponíveis.

Gestores diziam coisas como:

"Não sei por que um projeto de dados demora tanto."
"Existem ferramentas, mas não sei como usar."
"Parece que TI fala outra língua."

A STI estava tecnicamente estruturada, mas estrategicamente opaca. Ferramentas como Power BI, DataLake e pipelines existiam e eram subutilizados porque ninguém entendia como pedir, quando usar, ou o que era possível.

O problema real não era comunicação.

Era tradução.

STI falava em metodologias ágeis, pipelines de dados e governança de TI.

O negócio ouvia:

Insight central

“Não entendo como isso se conecta comigo.”

Documentação técnica pressupõe fluência técnica.

Gestores de negócio não tinham, e não deveriam ter, essa fluência.

Minha hipótese foi direta: traduzir complexidade técnica em linguagem humana geraria mais valor do que qualquer melhoria de interface.

O contexto real do time:

  • 1 designer (eu)

  • scrum masters e PMO

  • zero desenvolvedores disponíveis

E não era falta de vontade, era volume de demandas. A STI já operava no limite. Alocar desenvolvedores para esse projeto significaria comprometer entregas críticas para o negócio.

Não escolhemos o SharePoint porque era a melhor plataforma. Escolhemos porque era a única plataforma que o time conseguia implementar e manter sozinho.

Trade-off consciente (e doloroso)

Abri mão de:

  • Experiência visual sofisticada

  • Interações que tornariam navegação mais fluida

  • Personalização por perfil de usuário

  • Recursos que eu sabia que melhorariam usabilidade

O que ganhei em troca:

  1. Viabilidade de execução: projeto aconteceu dentro do prazo e com o time disponível

  2. Sustentabilidade: equipe STI consegue manter e atualizar sem dependência externa

  3. Integração institucional: dentro do ecossistema CNI (governança, permissões, SSO)

  4. Velocidade de implementação: sem ciclos de desenvolvimento, focamos em conteúdo e arquitetura

A aposta que fiz:

Melhor ter um portal "bom o suficiente" funcionando do que um portal "perfeito" que nunca sairia do papel.

A decisão mais difícil: trabalhar dentro das restrições reais

Se eu não podia sofisticar a interface, faria o conteúdo trabalhar mais.

Transformei documentação técnica em três camadas de tradução.

A virada estratégica: tradução visual como solução

1. Infográficos no lugar de documentos

PDFs longos viraram infográficos de uma página, mostrando:

  • fluxo do método

  • papéis envolvidos

  • entregas

  • tempo estimado

Princípio:

Se não cabe em uma tela, o problema é da explicação.

2. Cartilhas visuais no lugar de manuais

Guias técnicos viraram cartilhas ilustradas:

  • linguagem direta

  • exemplos reais da CNI

  • contexto de uso

  • contato claro para suporte

O modelo virou padrão interno da STI para comunicação de tecnologias.

3. Processos humanizados no lugar de BPMN

O maior impacto do projeto. Os processos já existiam — em BPMN. Mas fora da STI, ninguém entendia. Eu mantive a lógica do fluxo e traduzi a forma:

  • personagens no lugar de símbolos

  • balões explicando ações

  • linguagem natural

  • ícones intuitivos

Antes:

“Não entendi nada.”

Depois:

“Agora faz sentido.”

Arquitetura de informação: confiança progressiva

Estruturei o portal em três níveis:

Nível 1 — Contexto

Quem é a STI, como funciona, como pensar tecnologia na CNI.

Nível 2 — Capacitação

Como iniciar projetos, usar dados, acessar ferramentas.

Nível 3 — Transparência

Portfólio, indicadores, SLAs e processos (humanizados + técnico).

Cada pessoa acessa o quanto precisa, sem sobrecarga.

Identidade Visual: o conceito do "Prisma"

A STI tem múltiplas facetas. O prisma organiza essa complexidade.

  • diferentes ângulos

  • mesma luz

  • clareza por refração

Por que isso importa além da estética:

A metáfora virou linguagem compartilhada. Em reuniões, gestores começaram a dizer:

“Vou procurar no Prisma.”

e não "vou procurar na intranet da TI".

O nome criou um lugar mental diferenciado que facilitou adoção orgânica.

Validação e impacto

  • 145 acessos espontâneos na primeira semana (~18%)

  • Conteúdo compartilhado organicamente

  • Modelo replicado por outras superintendências

  • Cartilhas e processos humanizados viraram padrão

  • Centralização substituiu caos de arquivos

Isso não foi estética. Foi mudança de comportamento organizacional.

O que aprendi

1. Restrições técnicas revelam onde está o valor real
Não poder melhorar a interface me forçou a focar no que realmente importava: clareza de conteúdo. Aprendi que conteúdo bem traduzido supera interface sofisticada.

2. Design é tradução entre mundos
Meu papel não foi "fazer telas bonitas". Foi criar pontes de entendimento entre linguagem técnica e linguagem humana.

BPMN → processo humanizado

Documentação técnica → infográfico

Jargão de TI → linguagem natural

Essa capacidade de traduzir complexidade em clareza é meu diferencial estratégico.

3. Viabilidade de execução é decisão de design
Não adianta projetar algo que o time não consegue construir ou manter. A decisão certa para o contexto errado não é a decisão certa.

4. Formato importa tanto quanto conteúdo
A STI tinha informação valiosa, mas em formato inacessível. Não precisei criar informação nova — precisei transformar formato para gerar compreensão.

Reflexão final

O Prisma STI não é um portal.
É um sistema de tradução organizacional.

Transformou:

  • BPMN em histórias compreensíveis

  • jargão técnico em linguagem humana

  • opacidade em confiança

Esse projeto reforçou minha visão de design:não é sobre telas bonitas. É sobre criar condições para que pessoas se entendam.

E quando pessoas se entendem, organizações funcionam melhor.

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